sexta-feira, 18 de junho de 2010

Entrevista à Horta Comunitária do Monte Abraão

As respostas que demos a uma jornalista que nos contactou por e-mail

Há quanto tempo existe o projecto?
Estamos agora a comemorar os 2 anos da horta (começou em Junho de 2008).

Quantas pessoas estão envolvidas no projecto?
Há cerca de cinco jovens que constituem o “núcleo duro”, pondo as mãos na terra regularmente, mas várias dezenas de pessoas têm passado pela horta e dado o seu contributo.

Que motivações têm as pessoas que procuram ter a “sua” horta?
Primeiro, mais do que “sua”, esta horta é uma horta de todos os que lá participam. Por isso há a motivação de fazer algo em grupo, de conviver e passar alegremente o tempo. Depois há a grande motivação de voltar a ter o contacto com a terra, que se perdeu nas cidades. Há um movimento enorme de pessoas, cada vez maior, que procura dar mais sentido à sua vida voltando-se para a natureza. E com uma simples horta pode-se conhecer todo o ciclo da natureza: como se cultivam os alimentos que chegam ao nosso prato, e como o lixo que fazemos se pode decompor e voltar à terra para a fertilizar. Também é uma motivação o podermos ter alimentos de qualidade, que sabemos de onde vêm (sabemos, por exemplo, que não contêm químicos perigosos, que não vêm de sítios distantes, que não envolvem a exploração de agricultores nem a acumulação de riqueza de um grande produtor ou de uma grande empresa de distribuição, etc.). Ganhamos mesmo algum carinho pelos alimentos depois neles colocarmos alguma energia, e assim melhoramos a nossa relação com aquilo que comemos, tornando-a mais saudável e consciente.

Que benefícios trazem para as cidades estes espaços?
Apenas alguns exemplos: Alimentos mais perto de casa, que não têm de viajar quilómetros e quilómetros nem esperar muitos dias para ser consumidos, repletos de produtos químicos que os fazem parecer mais frescos. Uma actividade relaxante e com significado, no meio do tanto stress e do entretenimento “fast-food” das cidades. Alívio para o orçamento que as pessoas têm de dedicar à alimentação. Contributo para a beleza natural e para o desenvolvimento da biodiversidade (com uma simples horta surgem os caracóis, as joaninhas, as borboletas, os pássaros, etc.), por entre o cinzento e a poluição da cidade. Espaço de convívio e aprendizagem mútua. Exercício físico com alguma utilidade, ao contrário daquele que se faz dentro das paredes de um ginásio. Manutenção de solos de qualidade para absorver água em caso de cheias.

Que tipo de terrenos têm sido ocupados com estas hortas?
Terrenos que, por desleixe, por incompetência, por ganância (a especulação imobiliária), ou por qualquer outra razão, vão sendo deixados abandonados e inutilizados, para os quais as pessoas encontram felizmente uma utilidade.

Em tempo da tão falada crise, estes espaços podem ser uma boa resposta para as famílias?
Sem dúvida que podem ser um bom contributo para as famílias. Ajudam a levar alguma comida de qualidade para casa, reduzindo as despesas com alimentação, mas também podem ajudar as pessoas a olhar para as coisas simples e perceber a inutilidade do consumismo dos nossos dias. E, do que temos visto, as couves continuam a crescer bem e sem se queixarem, com crise ou sem crise.

Quem tiver interesse em ter um espaço onde se pode informar?
Existem algumas câmaras (Porto, Seixal, Coimbra, por exemplo) com programas de hortas na cidade, mas que por vezes são muito burocráticos. O nosso conselho é que tentem falar com a respectiva câmara municial ou junta de freguesia para apresentarem a ideia e saberem da possibilidade de utilizar um dos terrenos que estas entidades tantas vezes têm abandonados. E se não houver receptividade, simplesmente olhem à vossa volta, procurem um espaço livre, juntem pessoas e comecem a horta. A internet tem muita informação sobre agricultura biológica. O clássico “Borda d’Água” também pode ser uma ajuda importante. E porque não consultar os familiares ou amigos que trabalham ou trabalharam no campo? Mas o melhor, claro, é aprender fazendo!

1 comentário:

  1. Excelente entrevista. Muito explícita e objectiva.

    Abraço,
    David

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